Timpanomastoidectomia (Cirurgia para Infecção Crônica do Ouvido) - Dr. Alexandre César

Timpanomastoidectomia (Cirurgia para Infecção Crônica do Ouvido)

Indicações da Cirurgia:

A mastóide é um dos ossos do crânio, nele se encontra situado o ouvido médio (local onde encontramos os ossículos do ouvido).

Este osso participa da ventilação do ouvido. As infecções crônicas do ouvido cursam também com a infecção deste osso e várias podem ser as complicações, como paralisia facial e meningite.

O principal intuito da cirurgia sobre a mastóide é acabar com a infecção crônica, devido às graves complicações que podem ocorrer, e em segundo plano restabelecer a audição.

Está indicada, mais comumente, em três situações:

  • Infecção (inflamação) crônica e persistente do ouvido (“ouvido purgando”), que só diminui com uso de antibiótico, retornando o problema logo após terminada a medicação.
  • No colesteatoma (neoplasia epitelial benigna de característica destrutiva, ou seja, lesão cujo comportamento parece com o de um tumor), esta lesão ocorre, quase sempre, com perfuração da membrana timpânica e traz problemas para os ossículos do ouvido, causando perda auditiva e a otorréia (“ouvido purgando”) é praticamente constante.
  • Complicações de otite média secretora, nos casos onde há perda auditiva, geralmente quando não houve melhora com uso de tubos de ventilação (carretéis).
 

Como é realizada a cirurgia?

A timpanomastoidectomia (ou mastoidectomia) é realizada sob anestesia geral. O acesso cirúrgico é retroauricular (por trás da orelha) e o osso da mastóide é operado no intuito de remover toda a área acometida pela infecção para que o ouvido possa ser melhor ventilado.

A reconstrução do tímpano (timpanoplastia) e a reconstrução da cadeia ossicular também podem ser necessários. O procedimento dura cerca de duas horas. A alta hospitalar se faz no dia seguinte.

 

Quais são as possíveis complicações?

Infecção – Infecção no ouvido, com saída de secreção, inchaço e dor, pode persistir após a cirurgia ou, em raras ocasiões, aparecer em virtude da cicatrização. Quando isto ocorre, uma cirurgia adicional pode ser necessária para controlar a infecção.

Perda de Audição – Em pequena parte dos pacientes operados a audição poderá diminuir por problemas com a cicatrização. Raramente esta perda é severa.

Perfuração Timpânica Residual ou Recidivante – Em parte dos casos poderá não ocorrer a total pega do enxerto, ou ele poderá necrosar (ser perdido) posteriormente. Nestes casos, uma segunda cirurgia é indicada para corrigir este defeito.

Zumbido – Pode surgir ou piorar é de difícil tratamento.

Tontura – Poderá ocorrer logo após a cirurgia, por irritação do ouvido interno. Em alguns casos poderá persistir por uma semana.

Distúrbio do Paladar e Boca Seca – Não é raro ocorrer. Geralmente regride em algumas semanas, podendo demorar mais em alguns casos, havendo compensação gradual.

Paralisia Facial – A complicação mais temida, a paralisia facial, é muito rara e muitas vezes temporária; atualmente estas cirurgias podem ser realizadas com a Monitoração Intra-operatória do Nervo Facial.

A paralisia do nervo da facial altera a musculatura da mímica da face (traz dificuldade para piscar a pálpebra, enrugar a testa, alimentar, sorrir, etc). É rara, e pode ser temporária, podendo regredir espontaneamente. Pode, entretanto, ser definitiva. Em raras ocasiões o nervo poderá ser lesado na cirurgia, nestes casos, pode ser necessário um enxerto de nervo do pescoço ou da perna. Alterações oculares também podem ocorrer devido à paralisia.

Fístula Liquórica – É o extravasamento do liquido do cérebro e da espinha, nesta situação, para o ouvido médio. A correção é feita no mesmo ato cirúrgico ou posteriormente.

Complicações Cranianas – Muito raramente pode acorre abscesso cerebral ou meningite.

 

Cuidados Pós-operatórios

Quando é necessária uma cirurgia ampla sobre a mastóide e ouvido médio com alargamento do conduto auditivo (mastoidectomia radical), durante meses ou anos, existirá ainda secreção no ouvido, necessitando curativos e cauterizações e, mais raramente outra cirurgia.

Nestes casos, um tampão é deixado no ouvido por 5 dias, após o que é removido e a cavidade operada é tratada por meio de aplicação de medicação (pomada) durante um mês.

Dr. Alexandre César

- Graduado em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG em 1996.

- Especialista em Cirurgia de Cabeça a Pescoço pelo Instituto do Câncer de Minas Gerais (Hospitais Mário Penna e Luxemburgo).

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